A Primeira Queda,
a Primeira Ascenção
(Parte IV)
***** Toshi Ranbo, Capital Imperial, 1169 – 20º dia do mês da Lebre, hora de Fu Leng.
Hida Yakamo, o Sol, não tinha dado o ar de sua graça ainda e Lady Hitomi, a Lua, ainda iluminava os caminhos pelas rotas de todo o Império.
Boa parte dos Leões se preparava para partir, assim como um grande número de Scorpions e Cranes. Os outros clãs decidiram ficar para deleitar os últimos dias na Corte Imperial.
A noite era clara, sem nuvens no céu, as estrelas brilhavam como nunca, e a mais marcante era a constelação de Otaku Kamoko, o Trovão Silencioso. Não havia muita conversa nem sorrisos nos rostos daqueles que deixavam a cidade sabendo que o próximo dia podia ser seu último.
Guerra entre clãs nunca tem um resultado bom para o Império, mas os Ikoma Omodaisu sabiam como utilizar as leis imperiais para mostrar que a guerra era apenas para solucionar um pequeno inconveniente para o Império. O Clã do Escorpião também sabia utilizar dessa mesma arma, mas decidiu não fazê-lo, o que deixara Akodo Shigetoshi um pouco preocupado.
Em pouco tempo, o Lorde Sol iluminaria as terras do Imperador, e seria bom que todas as tropas do Leão já tivessem sido removidas até lá.
Akodo Setai, porém, continuou na cidade imperial, ele tinha mais o que fazer.
***** Toshi Ranbo, Capital Imperial, 1169 – 20º dia do mês da Lebre, hora de Ryoshun.
Lady Hitomi partia vagarosamente para seu descanso celestial. Dentro de uma hora, o Sol estaria imperando no céu, os heimin estariam se levantando para seus trabalhos matinais e muitos samurai acordariam para executar seus kata.
Akodo Setai, o Deathseeker Redimido planejava retirar os Mantis da cidade Imperial, para que esses não causassem mais problemas. Setai nunca gostou da situação do Clã de Kaimetsu-Uo como um Clã Maior. Isso o irritava e ofendia seus ancestrais.
Yoritomo Naizen, por outro lado, não ligava muito para o Clã do Leão, já que não havia nada de muito valioso para pegar deles. Naizen já havia combinado com Kumiko que ele aguardaria mais um dia em Toshi Ranbo e depois partiria para Kyuden Gotei, retornando apenas em duas semanas para levá-la de volta. As ordens de sua senhora eram bem claras, ele não iria falhar!
***** Toshi Ranbo, Capital Imperial, 1169 – 20º dia do mês da Lebre, hora de Hantei.
A maioria dos presentes na cidade estavam dentro de suas moradias para se alimentar. Alguns Mantis estavam na Casa de Sakê Brilhante, que ficava ao lado de sua embaixada. Tsuruchi Ayame e dois companheiros estavam entrando na Casa de Sakê quando um pequeno grupo de Leões liderados por Akodo Seiichi saíam na mesma hora.
“Saia da minha frente agora, eu sou um samurai!” – Exclamou Seiichi, fitando diretamente os olhos de Ayame, que era um pouco mais alto que ele.
“Eu sou Tsuruchi Ayame, Mestre Arqueiro do Clã do Mantis. Dizer que não sou um samurai ofende à mim e à meus ancestrais.” Respondeu calmamente o arqueiro.
Como que já esperado, Seiichi rebate “Eu me pergunto se há algum ancestral da Vespa que valha à pena ofender.”
Não demorou um segundo para que os sete homens pulassem para o meio da rua e começassem um combate feroz, arrojando todos os heimin no local à fugirem apavorados.
“Vai morrer pelo que disse, Akodo!”
“Espero que sua flecha consiga perfurar meu peito de jade, Vespa!”
A briga continuava, mesmo com alguns imperiais no local. Não havia jeito de apaziguá-los. Para terminar a briga, somente derrubando os arruaceiros.
Seppun Naganori e Matsu Youko estavam andando pelas ruas, a berserker ainda sentida pelos acontecimentos da noite passada. O duelista pensou em intervir, mas percebeu a movimentação dos Inquisidores do Clã da Fênix, que juraram proteger a cidade Imperial nos anos atuais.
“Só matem aqueles que resistirem à prisão!” gritou do fundo de sua garganta, Shiba Miiko “Todos aqueles que não baixarem as armas agora, estão resistindo à prisão. VÃO!”.
A batalha durou mais alguns momentos até que os Phoenix conseguiram contê-la.
O resto dia correu sem muitos acontecimentos fora do comum.
***** Toshi Ranbo, Capital Imperial, 1169 – 20º dia do mês da Lebre, hora de Bayushi.
Como ordem provisória, Shiba Miiko expulsou todos os Leões e Mantis da Cidade Imperial, inclusive Akodo Setai que estava no meio da briga – ele saiu sorrindo, com um ar de dever cumprido.
Matsu Youko também teria que se retirar e Naganori decidiu que sairia da cidade imperial com ela e foram levados até o portão da primeira camada da cidade por um escolte Shiba.
Caminhando juntos até um ponto afastado do portão, um pouco adentrando uma floresta vizinha. Provavelmente, ambos pensavam em ficar à sós mais uma vez, talvez pela última.
Aquele momento não seria tão louvável quanto eles esperavam.
“Vocês estão em território desconhecido.” uma voz dizia na mente de Seppun e da samurai-ko.
Um pouco assustados, os dois colocam-se em posição de ataque, suas mãos já próximas da haste de suas katana. Um pouco depois, um naga saía detrás de uma folhagem longa. Ele era totalmente verde, com exceção de seus olhos que queimavam com uma chama roxa. Seu corpo era alongado e seria confundido facilmente com uma cobra se não fosse sua cabeça humanóide, seu peitoral humano e seus dois braços indistintamente normais.
Antes de qualquer possível reação, Yoritomo Kumiko aparece ao lado do naga. Kumiko apresentou a criatura como Qolsa, um dos poucos membros da raça ancestral dos naga que está acordado.
“Mas o que fazes por aqui, Kumiko-sama?” Naganori perguntou, um pouco confuso.
“Na verdade, estou seguindo Qolsa e seus companheiros ronin. Estou numa pequena missão atualmente. Agora eu devo ir. Nos veremos em breve!”
“Naganori-kun, preciso voltar para minhas terras. Amanhã começaremos a guerra contra o Escorpião. Espero que você fique ao meu lado.”
“Estou sempre ao lado da Lei, Youko-chan. Espero que acabe tudo bem.”
“Hai. Domo arigato.”
Naganori foi seguindo as paredes da Cidade Imperial, por que sabia que conseguiria entrar de volta se mostrasse seu distintivo de Seppun. No seu caminho de ida, ouviu barulhos suspeitos nos arbustos. Decidiu, sensatamente, continuar andando, sempre atento ás mudanças na paisagem. Alguns metros à frente, o barulho ficou mais tenaz, então o duelista aguardou a ameaça em posição de duelo.
Do meio do mato, saía Bayushi Kuraku. Seus passos silenciosos e sutis não pareciam ser a fonte daqueles barulhos que ouvira um pouco atrás. Seguindo o courtier estavam três outros samurai com suas respectivas mempos, impossibilitando a indentificação deles – mas, obviamente eram Scorpion.
“Naganori-san,” reverenciava Kuraku “bom vê-lo esta noite. Precisamos conversar um pouco”
Naganori, retirando a mão de cima de sua saya e assumindo uma posição mais confortável, concordou “Claro, mas por que durante a noite, e por que aqui fora?”
O courtier, que não deixava suas emoções transparecerem graças ao lenço característico em sua face, fitava o duelista imperial “Gosto da atmosfera à essa hora da noite. Além do mais, é mais produtivo um local onde possamos conversar à sós e à vontade.”
“Não parecemos muito à sós com esses três homens atrás de você. Não estou muito confortável, também.”
Kuraku parecia nem ligar “Estou aqui para oferecer a chance de se aliar com o lado vencedor da guerra. Como sabes, nós só aceitamos essa guerra por que sabemos que a vitória é garantida.”
Interrompendo o courtier abruptamente, Naganori expressa sua aliança apenas à lei “Estou do lado da Lei.”
O poder de sedução, apresentando soluções para os maiores desejos de alguém sempre foram pauta de conversas entre courtiers do Escorpião. “Podemos conseguir a cabeça de Shigetoshi numa yari. Só precisamos ajudar um ao outro.”
Um pouco mais propenso à aceitar a aliança, Naganori continua seu discurso. “Estou do lado da Lei, e da Lei somente.”, mas aprimora “E se o Escorpião não infringiu a Lei, lutarei ao lado dos Bayushi.”
“Muito bem, samurai. Sábia escolha.”
Naganori, um pouco mais tranqüilo, agradeceu “Está certo. Agora, voltamos para a capital?”
Os três homens não identificados seguem um caminho diferente dos dois samurai que ainda conversavam.
Dentro de oito dias, a guerra começaria. Os próximos 8 dias passaram-se num raio. O silêncio imperava na corte e em todas as regiões do Império, todos os Clãs se preparando para o que poderia acontecer naquela guerra envolvendo três grandes clãs e uma lenda-viva do Crab; Hida Benjiro.
***** Toshi Ranbo, Corte Imperial, 1169 – 20º dia do mês da Lebre, hora de Bayushi.
Os ânimos estão calmos na corte central de Toshi Ranbo, nada de extraordinário acontece por lá no momento. O Imperador, Toturi III não estava presente, um representante do Miya Herald estava em seu lugar.
Seppun Naganori estava lá apenas para acompanhar o que renderia aquele que seria um dos últimos dias antes de uma guerra que abalaria Rokugan.
Alguns momentos de reflexão foram quebrados, quando em sua percepção aguçada, viu que todos os courtiers presentes pararam seus afazeres e acompanhavam com seus olhos um homem que entrava na câmara principal.
Longos cabelos brancos que homenageiam Doji Hayaku, o fundador da famíli Daidoji que entrou na Shadowlands para buscar um artefato da Garça e teve seus cabelos descoloridos pela mácula. Um rosto que invejaria muitos homens e um corpo esbelto capaz de movimentos leves e sutis.
Esse homem é Doji Kurohito, o Campeão da Garça, seguido pelo próprio Imperador Toturi III.
“Onde está Naganori?” Kurohito questiona o Miya que foi deixado ao lado do trono para tomar conta da corte.
Sem uma palavra, o encarregado apontou para o lado, onde Naganori encostava-se na parede.
Toturi III vai até seu trono, senta e coloca suas mãos em seu rosto num sinal de desaprovação. A corte estava apavorada com aquele momento incomum. Alguns até sabiam o que podia acontecer.
“Seppun Naganori. Após ouvir algumas verdades ditas por Doji Kurohito, estirpo teu nome Imperial e declaro-te RONIN!”
O silêncio que antes era absoluto, foi contraído num turbilhão de vozes.
Todos gostariam de saber o motivo, mas isso não seria revelado pelo Imperador nem pelo honrado Campeão da Garça.
Naganori pensou em responder, mas sabia que não haveria nenhum efeito. Pensou então em seppuku, mas como aquilo tudo era muito injusto em seu modo de ver, saiu deixando para trás todas suas vestimentas que levam o crisãntemo imperial e sua insígnia. Agora ele iria atrás da redenção, seu primeiro passo seria demonstrar que mantia a honra e cumpriria sua palavra de aliança.
Saindo da presença do Imperador e da corte, Naganori, agora sem uma família, ia em direção à escada, mas fora chamado por alguém; um homem desconhecido por ele, cabelos negros não muito longos, até o final do pescoço, com uma seção presa por elásticos gaijin.
“Muito prazer, Naganori. Meu nome é Susumu, mas provavelmente ainda não ouviu falar muito de mim.”
Naganori estonteado pelo desconhecido saber do seu nome, abriu a boca, mas nenhuma palavra escapou.
“Eu sei o que Kurohito falou. Eu sei a verdade e sei como reverter essa situação, mas o único modo de fazê-lo é unindo-se ao Leão e largando mão do Escorpião.”
“Infelizmente eu já me aliei ao Scorpion, não posso descumprir minha palavra. Ainda mantenho minha honra!” Exclamou, ainda um pouco triste.
“Saiba que sua aliança pode muito bem durar apenas um dia. Venha, sente-se e prove de meu sakê, o mais refinado da cidade Imperial.” Susumu continuou tentando.
Os dois sentaram e tiveram uma longa conversa regada pelo melhor sakê da região.
“Então me encontre em Shosuro no Shiro dentro de três dias e resolveremos seu problema se você se aliar ao Leão.”
Naganori reverenciou o novo aliado e partiu.
Na saída da cidade de Toshi Ranbo, sentiu uma sensação estranha em sua barriga; talvez seja o sakê, mas esse era muito refinado. O ronin sabe que nunca foi muito resistente, mas assim já era demais.
***** Província de Yama, Província fronteirícia do Leão com o Escorpião, 1169 – 1º dia do mês do Dragão, hora de Akodo.
A primeira investida seria na fronteira entre Shiro Matsu e Yogo Shiro, províncias de duas grande famílias de cada clã. As atividades inortodoxas do Scorpion já começavam à serem notadas.
Aproveitando a hora de Akodo, os Leões procuravam seus shugenja para conectar-se com seus ancestrais em busca de sua valiosa guia. Matsu Youko estava nervosa, seria sua primeira grande batalha, mas sabia que os seus ancestrais estariam com ela e que a fúria de Matsu queimaria dentro de seu coração.
Youko se empolgava enquanto preparava sua armadura. Olhava para os lados e via suas irmãs também felizes com a oportunidade de mostrar que a cerimônia de gempukku foi um bom investimento dos seus sensei. A berserker estava com sua yari e sua daisho preparadas e bem afiadas, mas ao ser alocada à unidade de engajamento, teve que escolher uma das duas e como não tinha um lugar decente para deixar sua daisho, colocou sua yari no aposento de armas.
Tudo preparado; o primeiro avanço do Leão estava sendo preparado. A primeira batalha iria começar com um ataque do Clã de Akodo… Será?
Aproveitando a preparação do Leão, Bayushi Paneki e seu rikugunshokan movem duas pequenas armadas em direção à Shiro Matsu. Sabendo que haveriam scouts Ikoma e Akodo no caminho, enviou alguns Shosuro Shinobi para limpar o campo e garantir o elemento surpresa.
Reunidos em frente às barracas do Castelo do Último Suspiro (Shiro Matsu), todos prestando atenção nos últimos detalhes de Akodo Shigetoshi. Todos sabiam da superioridade numérica e experiência vasta em combate que os Leões sempre tiveram, mas esse inimigo era diferente! Esse inimigo não lutava da mesma forma que os outros. Eles são mais sagazes e mais espertos, mas a fortaleza do Leão não caíria para um inimigo tão desmerecido!
“Marchem, minhas unidades! Marchem e mostrem para os Bayushi a força dos Akodo, a fúria das Matsu e a tática dos Ikoma!” – Gritava Akodo Shigetoshi.
Ali em frente haviam cinco legiões se preparando para o combate. Arrumando suas armaduras e preparando seu psicológico. As coisas iam bem até que Ikoma Otemi percebe a movimentação de uma armada vermelha-sangue vindo na direção do castelo.
“Os Escorpiões estão atacando! Preparem-se!”
Akodo Shigetoshi manteve a calma e firmeza “Não se alarmem, eles vêm em pequenos números. Esses insetos vão ser esmagados debaixo de nossos pés!”.
Os Leões estavam motivados e sua moral estava alta, Otemi achava aquele ataque muito estranho, mas uma vitória esplendorosa na primeira batalha aumentaria o moral da armada.
As linhas de frente de cada armada entraram em contato, a guerra havia começado e sua primeira batalha acabara de aflorar. A armada do Leão tinha uma vantagem numérica de quase três-para-um, Shigetoshi sorria e sabia que não iria entrar em combate já que a batalha tomava seu rumo em direção à vitória.
Soshi Jin, que havia decidido se jogar no combate para reafirmar sua lealdade ao clã e ter uma mínima experiência em combates, estava com três yojimbo para sua proteção. Sua esperteza e percepção aguçada o levaram à um comandante desprotegido. Ele sabia que aquela era a chance dele de fazer parte na batalha, e setá-la para a armadilha que estava por vir.
Saber que Naganori estava por perto, tranquilizava um pouco a mente instável do Soshi.
O shugenja chamou seus guarda-costas e indicou o caminho, invocou o poder dos kami do ar para que eles se formassem numa yari. Jin agradeceu o favor e prometeu honrá-los de novo mais tarde. O som de ferro quebrando armaduras e a visão de membros arrancados não eram tão comuns para ele, que costuma estudar nas torres Soshi ou caminhar silenciosamente pelas cortes, mas isso não o impediria de lutar bravamente!
“Cumprimente seus ancestrais com tanto louvor quanto o fazes aqui em Ningen-do” Jin chamou a atenção do comandante.
“Um shugenja? Isso vai ser muito fácil!” O bushi caçoou de Jin e rugiu alto antes de pular no oponente com muita garra. Os yojimbo focaram primariamente em ameaças próximas, deixando o shugenja à sós com o oponente escolhido. O combate foi feroz, o Soshi se revelou um exímio combatente com a yari, o que pasmou o oponente que mal conseguia se aproximar para arrematar um bom ataque.
As técnicas de batalha não eram o forte dos Soshi, e Jin logo teve seus músculos cansados pelos movimentos de combate. O inimigo percebeu a vantagem e arrancou de seu ponto para encontrar uma brecha na defesa do shugenja e mostrar a ferocidade dos bushi do Leão; a chance apareceu e ele logo concluiu um ataque demolidor, que rasgou a pele de Jin com a mesma facilidade com que rasgou seu kimono.
Jogado ao chão e sangrando, o Soshi viu seu futuro e seu grande destino serem arrancados de suas mãos; sabia que se não fizesse alguma coisa, o kharma viria para buscá-lo, finalmente. A simples visão de morrer numa batalha sem alcançar nenhum grande provimento ao clã, sem mostrar sua superioridade em relação ao seu irmão não o agradava; sentiu seu corpo regenerado pelo espaço de uma respiração, talvez esse seja o elemento desconhecido do void circulando seu corpo e suas veias. Ele estava pronto pra reagir, usou sua yari como suporte e empurrou-a contra o chão levantando-se num movimento escultural, o que espantou o Leão. De seus três yojimbo, apenas um sobrou e este veio à seu resgate, mas Soshi Jin recusou e avançou contra o oponente rasgando-lhe do ombro ao quadril, quase partindo-o em dois. As últimas palavras do oponente eram quase inaudíveis, mas o elemento do ar é a especialidade de Jin, e um sorriso brilhou em seu rosto ao entender o abismado oponente sussurrar “Impressionante”.
Matsu Youko lutava com a mesma facilidade com que respirava. Após vários dias naqueles locais fechados e cheios de courtier, ela finalmente estava onde queria, o local onde ela nasceu para estar. Quando se lembrava desses últimos dias e de Toshi Ranbo, o maior combustível de sua fúria era Bayushi Kurumi – uma pena para os escorpiões que cruzavam o caminho da berserker.
Num raro momento de clareza, Youko avistou um inimigo ferido; era um bushi da escola Bitter Lies – guerreiros que lutavam com métodos tão inortodoxos que até alguns Scorpion se surpreendiam – que ela tinha visto arrancar a cabeça de uma companheira de irmandade um pouco antes. Ficou propensa em agir em defesa do inimigo, liderada pelo bushido, mas pensar naquele lugar era pedir para morrer. Youko atacou o oponente caído, ele era um covarde afinal de contas, e regou o chão com o sangue do inimigo. O rosto estava pintado de vermelho e a respiração ofegante. Um golpe de misericórdia e estava terminado.
O ronin Naganori, por sua vez, era um homem mais ligado à sua honra e menos dirigido pelo combate. Ao ter uma oportunidade semelhante, optou por resgatar o oponente que poderia se tornar um refém valioso. Sua utilidade no campo de batalha era limitada, mas sabia que pequenos atos de honra eram tão importantes na batalha quanto os rasgos mortais da katana de um bushi.
No momento mais inesperado, uma segunda armada liderada por Bayushi Paneki composta quase que exclusivamente por cavalaria pesada e por uma unidade composta apenas pela famigerada escola de Scorpion Claws – unidades exclusivas, especializadas em eliminar um alvo em particular com muita eficiência.
A maré de batalha começava a mudar. Os Scorpion Claws espalhavam-se pelo campo de batalha, ignorando todos os Leões que não eram seus alvos legítimos, evitando ao máximo o atrito. A cavalaria pesada protegia os assassinos. Akodo Shigetoshi viu uma chance de glória. Vestiu sua armadura dourada com rapidez e pulou para o campo de batalha, à pé.
Paneki, já previa o avanço do campeão do Leão. O Daimyo do Scorpion queria eliminar Shigetoshi já na primeira oportunidade para terminar a guerra o mais rápido possível. Quando a guarda pessoal de Shigetoshi começou à cair, um à um, devido aos ataques mortais dos Scorpion Claws, o campeão se viu no meio da batalha sem nenhuma proteção. Suou frio.
Bayushi Yousui, Taisa da Quarta Legião, definiu o momento e avançou em direção ao general do Leão. Suas técnicas que eram anormais para os padrões samurai, e por ser notório por sua sorte, Yousui pulou do cavalo em direção de Shigetoshi, que alocou sua arma entreposta os dois corpos, achando que viria um golpe por cima, mas o guerreiro Bitter Lies parou à um metro de distância, abaixou seu corpo com um joelho no chão, chutou o tornozelo do Campeão e levantou sua wakizashi num movimento muito rápido rasgando o punho do oponente, que largou sua katana no chão.
“Raios! Artimanhas desonrosas. Já devia ter previsto isso!” Shigetoshi exclamava no chão.
Yousui não falou nada, pulou em cima do seu oponente, que não permitiu a investida, colocou os dois pés no peito do Bayushi e o jogou à uma distância suficiente para que ele pudesse se levantar e retirar sua wakizashi.
“Os poucos dias que passei nas terras do Dragão não foram em vão.” Shigetoshi ainda nervoso, relembra daquele tempo.
Os dois guerreiros se olharam por um tempo, focando em seu objetivo de eliminar a ameaça iminente. Yousui colocou dois dedos na boca e fez um barulho muito curioso. A montaria do Escorpião veio com toda a força, por detrás do Leão que não entendeu aquele som. Na hora que ele virou e percebeu seu erro, era tarde. O cavalo atropelou o Daimyo dos Akodo que caiu no chão, inefetivo. Yousui viu que era o momento certo para acabar com aquilo e reter toda a glória para o seu Clã.
Bayushi Paneki, no outro lado do campo de batalha, não pretendia entrar em combate, não fosse um leão, provavelmente berserker que invadiu as reservas da armada do Daimyo e durou menos de cinco segundos no campo de visão de Paneki, que arrancou a cabeça do oponente em apenas um movimento. Esse era o único imprevisto nos planos do Campeão, só esperava a volta de Yousui para retirar suas armadas.
Matsu Youko que costumeiramente não cansava de abater inimigos, já sentia o peso da lâmina balanceada. A sorte sorriu para a berserker, que avistou um comandante inimigo desprotegido. O kharma viria buscá o bushi naquele dia, e Youko ajudaria a encontrá-lo.
O campo de batalha não era local de muita comunicação, mas ao encontrar um de seus comandantes apontando o tessen para aquele mesmo comandante, sentiu-se revigorada. Estaria obedecendo uma ordem superior, honrando sua família diante dos Akodo e seria um ponto integrante da vitória dos Leão naquele dia.
Bayushi Nissho, comandante de uma pequena unidade estava um pouco ferido com a batalha, mas decidiu permanecer até o final. Talvez aquele tenha sido o maior erro de sua curta vida! Quando Matsu Youko avançou por sobre seu corpo, Nissho teve pouco tempo para reagir; conseguiu atacar a Matsu, mas com pouco efeito – um pequeno corte superior à bacia.
Youko, não deu chances ao oponente, se ele não tinha condições de lutar, que não viesse lutar contra o poderoso Clã do Leão. Avançou ignorando sua auto-preservação, Nissho sentiu como se tivesse sendo literalmente atacado por um leão, a luta durou poucos momentos.
Do outro lado, Soshi Jin viu que seu general estava desguarnecido e correu para protegê-lo. Bayushi Norachai teria reverenciado seu mais novo protetor, se esse fosse o local apropriado. Jin continuou a segui-lo até o final da batalha, esse é seu novo dever.
Finalmente, o campeão Bayushi decidiu avançar com sua guarda real e decidir a batalha. A armada do Leão, que era superior numericamente, foi sobrepujada pela tática audaz de Paneki. Durante o ataque do campeão, Shigetoshi se viu na obrigação de recuar e dar o terreno para o oponente, mas sem demonstrar covardia. O ímpeto de atacar um clã supostamente inferior militarmente e ser obliterado era suficiente para manchar a glória de Shigetoshi na primeira batalha dele como Campeão do Clã.
O general Akodo correu para seu ponto inicial e urrou de lá para seus comandantes, utilizando seu tessen como sinalizador de debandagem. “Chamem todos os samurai de volta. Ordenem que os Kitsu corram até aquela companhia e curem os samurai que lá estão. Todos os ashigaru deverão continuar em combate para garantir a nossa partida segura!”. Curiosamente, a companhia que foi alvo dos shugenja do Leão, era a mesma que Matsu Youko se encontrava.
***** Toshi Ranbo, Cortes Imperiais, 1169 – 1º dia do mês do Dragão, hora de Doji.
Uma horas após a conclusão da primeira batalha, onde Bayushi Paneki saiu vitorioso sobre um dos maiores táticos vivos de Rokugan, Ikoma Otemi e seu campeão, Akodo Shigetoshi, a corte imperial era inundada de novas informações.
Bayushi Kuraku estava presente, aquele era seu terreno de glória. Ainda estava com seu orgulho ferido desde a noite em que foi intimidado por Matsu Youko, uma mulher arrogante e deseducada. Enquanto ela estava no campo de batalha, não havia perigo em procurar por rumores sobre a Matsu.
Poucos voltaram da batalha, a maioria continuou no local para firmar território, o que seria contestado por mais um ou dois dias pelo oponente. Soshi Jin, não queria voltar pra casa e não poderia voltar para Toshi Ranbo, já que a corte ficava do outro lado de Rokugan, e teria que passar por dentro das terras do Leão para chegar – o que não era sensato.
Kuraku passaria o dia todo atrás de comentários e segredos do novo alvo de suas maquinações, ela se tornou seu novo foco.
***** Província de Yama, 1169 – 2º dia do mês do Dragão, hora de Shiba. Lado Escorpião.
“Paneki-sama” ajoelhou-se Shosuro Aroru reverenciando o campeão.
Bayushi Paneki permitiu que o shinobi falasse.
“Trago informações das células enviadas ao acampamento inimigo.” pausou por um instante para lembrar da informação com exatidão “A sabotagem da alimentação e do transporte inimigo foram bem sucedidas, mas um shinobi inexperiente foi pego enquanto armava umas armadilhas de som, para interromper o sono do Leão.”
O campeão ficou chocado com um erro tão infantil, mas não falou nada, esperando que Aroru mostrasse que já havia pensado numa solução.
A solução veio “Encontramos o local onde ele está sendo mantido. É uma cabana como as outras, para não levantar atenção, mas por dentro ela é guardada por um punhado de Leão.” disse Aroru com a cabeça levantada. “Um punhado? Quero um número exato, Aroru-san.” Paneki intimidou seu servo. “Eu não pude chegar muito perto, mas identifiquei pelo menos três sombras de bushi e um shugenja, que não utilizava sua daisho nem armadura.”
Paneki sinalizou que o Shosuro saísse para que ele pudesse pensar numa solução. Se o shinobi fosse levado ao Imperador, este poderia interromper a guerra e declarar o Leão como vencedor. Na verdade, esse não é o problema, mas Bayushi Paneki não poderia permitir que esse conflito acabasse antes de seus planos serem concluídos.
“Me tragam Bayushi Yumita. As habilidades dele serão necessárias em um momento muito breve.”
Servos que estavam dentre as sombras, saíam da tenda do Escorpião em direção à Shiro no Shosuro, onde Yumita administra um pequeno dojo.
***** Shiro no Shosuro, 1169 – 2º dia do mês do Dragão, hora de Bayushi.
Naganori, o mais novo ronin de Rokugan espera ansiosamente por seu novo aliado, Susumu, um courtier misterioso.
O duelista andava pela cidade, conhecendo novos lugares, o sol ainda não se punha, e o local era agradável e quase o faz esquecer que é uma cidade dominada pelo Escorpião.
Alguns courtier andam pela cidade e é bom que não encontre ninguém que ele conheceu na última corte, se não, ele pode acabar perdendo a razão e alguém perdendo a cabeça.
Achou uma casa de sakê e ia entrando quando ouviu algo.
“Naganori-san. Venha comigo” Uma voz feminina sutil entra no pé de seu ouvido. “Não olhe para trás, apenas espere um pouco e entre nesse beco.”
O duelista quase que reconhecia a voz e confiou. Aguardou um momento, entrou na casa, pediu um pouco de sakê e seguiu para o beco. Lá encontrou Yoritomo Kumiko e dois outros homens, provavelmente ronin.
“Temos um pequeno problema. Na verdade, um grande problema.” Kumiko falou baixo, colocando seu queixo no peito. “E o problema é você, Naganori-san.”
Naganori se assustou, mas manteve a pose.
“Hm, por que?”
Os outros dois ronin se aproximam num modo ameaçador.
“Você foi infectado. Foi maculado.” o susto era grande, e Kumiko decidiu continuar do mesmo modo “Dentro de seu corpo, está crescendo à cada minuto um pedaço da Shadowlands. Um pouco da maldade de Fu Leng e um pequeno pedaço de Tengoku.”
Naganori caiu ao chão. Seu mundo caía junto.
“Nós temos a salvação. Nós somos os Unbroken.”
***** Província de Yama, 1169 – 2º dia do mês do Dragão, hora de Shinjo. Lado Leão.
“Isso é ridículo! Como podemos ter perdido uma batalha para aquele clã que desconsidera totalmente o Bushido!? Nós demos um vértice para que eles nos apontem nas cortes até Toshi no Ichi (Festival de final de Ano).” Akodo Shigetoshi amaldiçoava. “Otemi-san, como fomos cair numa cilada tão previsível?”.
Otemi não falava. Sabia que suas palavras seriam levadas embora pelos kami do vento, por que Shigetoshi não tomaria conhecimento da sabedoria do tático naquele momento.
Nesse dia, alguns pequenos conflitos aconteceriam nas bordas entre os dois acampamentos, mas nada que necessitasse da presença dos dois campeões, que descansavam em suas respectivas tendas, cada um em seu lado.
***** Província de Yama, 1169 – 3º dia do mês do Dragão, hora de Hantei. Lado Leão.
A manhã era muito bonita, uma leve brisa aclimatava aqueles que acordavam cedo para prepararem seus kata ou suas táticas para o combate importante que haveria nesse dia. Shigetoshi e Otemi estavam na tenda principal, arranjando as estratégias.
“Precisamos atacar cedo, os scouts do Mantis que contratamos nos comunicaram que eles não esperam nosso ataque!” Ikoma Otemi revela para Akodo Shigetoshi uma oportunidade irresistível.
“Vamos esmagar esses párias do bushido!” respondeu, reformando seu punho contra a mesa. Seu corpo revigorava com o cheiro da manhã e a expectativa do sucesso.
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Nota: Deixei alguns fatos de fora, como o pequeno acontecimento com Takamasa, o duelista maluco por questões de efetividade na história.
Matsu Youko:
Honra: 0.0
Glória: +0.4
Status: 0.0
XP: 5 de Experiência
Vantagens: 0 ponto.
Desvantagens: 0 ponto.
Seppun Naganori:
(Naganori, o Ronin)
Honra: -1.0
Glória: +0.2 (-1.0 “Ronin”)
Status: Setado à “-”.
// Ronin não tem Status.
XP: 4 de Experiência.
Vantagens: 3 pontos.
Desvantagens: 3 pontos.
Soshi Jin:
Honra: 0.0
Glória: +1.2
Status: 0.0
XP: 5 de Experiência
Vantagens: 0 ponto.
Desvantagens: 0 ponto.
Bayushi Kuraku:
Honra: 0.0
Glória: +0.2
Status: 0.0
XP: 4 de Experiência
Vantagens: 0 ponto.
Desvantagens: 0 ponto.
Shosuro Hotaku:
(Shinobi – João)
Honra: -
Glória: -
Status: -
XP: -
Vantagens: -
Desvantagens: -
Personagens:
Extra (Promo):


















